sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pensamento e Dor

Pensar doi?
Eu acredito que sim, neurologicamente falando. Mas uma dor ja calejada, como a da primeira respirada. Essa sim deve ter doido bastante. Mas ninguem pensa nisso quando respira, essa e uma atividade autonoma.
Pensar doi?
Eu acredito que sim, psiquicamente falando. Falar baboseiras, ou masturbacoes mentais em conversa fiada nao requer esforco, mas quando precisamos de algo novo, ou nos abrimos para entender uma nova ideia isso requer esforco.
Doi pensar?
E acredito que sim, filosoficamente falando. Osho falada da felicidade da ignorancia e do sofrimento do conhecimento. Mas ele ao falou nada disso em uma ode ao ostracismo. Pretendeu mostrar que ha desconforto, inquietacao no corpo e na alma da mente pensante, foi um alerta nao uma sentenca.
A cabeca doi?
Toma um Tylenol.
Nao me importo com a inquietacao do conhecimento justamente porque a minha vem da busca, gosto do sofrimento descrito por Osho, sem banalizar toda a mensagem por traz desta historia.
Cm tanta informacao a nossa volta, se render ao circulo de 20 metros que criamos ao nosso reor e tao pequeno, tao diminuto, tao desnecessario. Tem muito mais acontecendo a nossa volta, no mundo ou ate dentro de nos.
Pensar doi?
Pouco me importa. No fim da vida eu sei que tudo isso, de uma forma ou outra, vai ter valido a pena.

Namaste

domingo, 8 de maio de 2011

Aparecer e Pensar

A revista Filosofia, ano 5, número 57 traz uma excelente reportagem a respeito do crescence sucesso dos reality shows. A matéria traz como base o trabalho de Guy Debord sobre a "Sociedade do Espetáculo" com ricos comentários de Renato Nunes Bittencourt, doutor em Filosofia.
As coisas novas, nem sempre são inéditas. As apresentações circenses no Circo Romano, na literatura com "O Artista da Fome" de Dostoievski, o projeto Biosfera e os bilhões de telespectadores que acompanharam o casamento real inglês são meros reflexos de uma mesma realidade ha muito tempo presente. A grande mudança hoje está na abrangência.
Com a comunicação quase que universal, particularmente não acho que esteja muito longe canais de abrangência internacional com a mesma programação, eventos de interesse das massas são transmitidos exaustivamente pela mídia internacional numa tentativa única e exclusiva de captação de audiência. É importante lembrar a inexistência de fatores educacionais, filosóficos ou éticos, como geradora de um bem de consumo, informação e entretenimento, se tornaram produtos maninpulados e manipuláveis alienando a populacão telespectadora que se torna prisioneira da vontade das massas. Muita gente se cansou sim das intermináveis matérias sobre Willian e Kate mas foram todos reféns. Reféns pois a única liberdade e oportunidade de participação na TV, no formato como ela é hoje, é mudar de canal, porém, aos usuários apenas da TV aberta não restam escolhas a não ser participar do conteúdo saturadamente divulgado.
O comprometimento do tempo do homem moderno na utilização de redes sociais e programas televisivos não supre a necessidade da vida em grupo e da interação com outras pessoas. A forma de suprir este desejo de participar da vida alheia somado ao fato de poder, ao mesmo tempo, ver o que não poderia ser visto surgem os reality show. Neles você tem a ilusão de participar da vida dos personagens somado as chances de poder vê-los tomando banho, fazendo sexo e participarem de conflitos manipulados que evitam a mesmice do cotidiano.
Sobre isto, Dr. Renato comenta: "O sistema técnico do reality show se utiliza do mecanismo visual da disposição espetacular, para que possa vir a exercer o seu efeito sedutor sobre a fragilizada subjetividade do espectador, ávido de conhecer os detalhes íntimos da vida dos protagonistas do programa, protagonistas que representam uma experiência desproida de autêntca subjetividade psicológica ou realidade interior (...) papel espetacular forjado em prol do consumo social de imagens."
A maior ideia vendia pela mídia é a de "pensar é cansativo", quando na verdade sabe que "pensar é perigoso", perigoso no sentido do aumento da percepção e criação de opinião.
A matéria continua com fortes afirmações a respeito da necessidade de atenção pelos participantes de redes sociais populares e parafraseia Descartes ao afirmar que, hoje, mais vale o "Apareço, logo existo".
Para continuar o debate, recomendo A Ilusão Americana de Eduardo Prado, o livro pode ser encontrado na Livraria do Senado Federal. Escrito em 1917 deu a chance de ser criada uma nação de identidade aqui no Brasil. Agora, nos resta buscar o tempo perdido, quebrar monopólios e prestar mais atenção em toda a informação que chega até nós.
Bem vinda Filosofia, como disciplina obrigatória!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Informativo

Um morador de rua que tentou falar com uma reporter da Globo e não foi ouvido, pediu que eu publicasse na Internet o seguinte texto:

"O Center 3, na Paulista, não está mais permitindo que os moradores de rua entrem no shoping para beber água."

Dei uma garrafa de água para ele e disse que iria publicar a informação.

Namastê

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Da Verbalização

No mundo sinestésico e que vivo, verbalizar o que sinto é um desafio e uma aventura.
Assim como no dia em que falava e alguém segurou minhas mãos para que eu não gesticulasse e o assunto se perdeu na minha cabeça. Por diversas vezes o mesmo acontece enquanto escrevo. E não é o DDA mas a pressa em verbalizar o que se passa tão velozmente em minha mente. O problema é quando a ansiedade de sintetizar e codificar em palavras um pensamento toma conta e o que sai é um: "assim, entende?" usando os braços e, nunca, sentado.
E digitar, nesse teclado duro, me atrasa, e como falei que poderia acontecer, esqueci o que ia escrever.

Namastê.

domingo, 9 de maio de 2010

Vou ou Volto para Casa?

Ontem foi interessante. Em meio a conversas a respeito de absolutamente tudo, resolvi voltar a escrever e, como de costume, inicio com algo que me revolta (adoro as variações desta palavra "revolta", revolto, revolução...).
"Vai voltar para Marau? Por quê? Não deu certo?"
Mas que tipo de pergunta é esta? Por que voltar para casa tem que ser sinônimo de fracasso? É o sentido da palavra "voltar"? Ou é frustração enrustida de quem nunca saiu daqui?
"Vou voltar sim, mas não porque não deu certo, mas porque deu, e muito!"
Os dois anos vivendo no Oriente Médio com certeza me transformaram, assim como acredito que se tivesse continuado aqui, mudanças também teriam ocorrido. A grande diferença para mim é que não sinto que esteja "voltando" (adoro aspas) para casa mas sim "indo" para casa.
Ver Dubai pela televisão, se encantar com aquela Disneylândia e imaginar como deve ser uma vida de Paris Hilton 24 horas por dia deve fazer parte dos sonhos de muita gente. Eu não tive isso lá, mas vi tudo de muito perto. O que posso dizer é que é interessate, bonito, mágico até mas absurdamente...superficial. Nada daquilo é meu, nem quero que seja. Não pertenço àquela terra.
O mais interessante, para mim, ao se viajar é o contato com a cultura local. Saber como se vive, o que se pensa, no que se acredita. Gosto de fazer minha pesquisa de campo. Agora concluída, coloco tudo na mochila e carrego comigo para onde for.
A vida fora tem a chance de nos afastar dos conflitos familiares, dos conflitos com conhecidos e da responsabilidade de envelhecer. É como uma grande viagem de férias.
Minha ida para Dubai nunca teve o objetivo de criar raízes lá, foram meus dois anos sabáticos (que por sinal são aos sábados nos países islâmicos). Agora quero brincar de ter 30 anos, ter projetos mais responsáveis e duradouros. Descobri que sou nacionalista, bairrista e extremamente feliz em ser gaúcho decendente de Italianos. O verde-amerelo que já está brilhando tão fortemente no exterior, precisa brilhar mais aqui. Vivemos num país livre e democrático, quem quer que nos governe, foi eleito pela maioria e nos representa. Concordar ou não é outra história, e que sempre haja a oposição e, a liberdade de expressão.
Para terminar essa bulimia de palavras e massagear o sentimento nacionalista termino com um evento no Brasil Império que guardo comigo:

O nascimento de D. Pedro II foi comemorado com celebrações e festividades durante um mês. Nasceu doente, sofria de febre e convulções vindo a ser descrito como "um menino amarelo e muito fraquinho". Tendo recebido carinho e afeto do Pai, tornou-se órfão ainda com 1 ano de idade, era comum se ouvir do próprio D. Pedro I: "Meu filho tem sobre mim a vantagem de ser Brasileiro!"

Bonito, não?
Bonito sim! Boa semana a todos!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Velharia

Conversando agora com a Camila e a Candice brinquei de me imaginar velho, vamos ver se daqui a 50 anos tudo isso vai ser verdade. Todos no mesmo asilo vamos ter uma rotina mais ou menos como esta:

Candice
Vai ser uma velha pra lá de rabugenta. Vai xingar todo mundo, reclamar até da temperatura da comida. Vai acordar reclamando de tudo. Na hora de sentar no sol ela vai ter o lugar dela e vai tirar a colheradas quem sentar lá. Nós vamos amar ela porque vamos lembrar o quanto ela era legal quando era mais nova.

Mabel
Vai sempre achar tudo lindo. Dizer como o sol está gostoso ou acordar todo mundo da pestana depois do almoço pra ver a chuva do lado de fora. Vai passar o dia mandando mensagens de celular, que diga-se de passagem vai ser enorme e com teclas bem grandes para facilitar o uso.

Icaro
Vai fazer parte de algum grupo de pesquisa secreto da ONU. Vai usar um óculos de grau redondo e colecionar coisas. Vai jantar e almoçar a luz de velas. Vai ter tubos e tubos de tinta qu ele nunca usa e infindáveis lápis de cor que ele teima em deixar todos do mesmo tamanho e ordenados do mais claro ao mais escuro. Vai ser avesso á tecnologia e vai ter máquina fotográfica com filme e projetor de slides.

Camila
Vai estar lá casada com o Bruno, que também vai estar no asilo. Eles vão fazer tudo de mãos dadas, até escovar os dentes. Eles ficam sentados fazendo planos para o "futuro" embaixo de um pé de caqui e sempre convidam os outros velhinhos pra jantar no quarto com eles. Ela vai escrever cartas e falar mal de todo mundo que não respode.

Ricardo
Vai usar roupas inglesas de época, usar uma bengala que veio do Zimbabue e ficar sentado com livros grossos no colo. Vai ler uma frase e ficar pensando por horas. Vai ter nojo dos outros velhos e só falar com eles com luvas e máscara. Só toma chá com mais uma pessoa que sempre é diferente a cada dia. Vai detestar sem interrompido enquanto fala e ignorar quem não estiver na mesa com ele. Vai receber visitas secretas no seu quarto a noite e vai ter milhares de livros e diários inacabados com histórias fantásticas.

Jardel
O Jardel vai ter uma cadeira de balanço que vai ser só dele, vai ficar fumando cachimbo e rindo de todo mundo. Vai ter iPods futurísticos que tocam músicas de acordo com a luz do dia e do humor dele. Como ele vai ter preguiça de se mover vai ter circuitos elétricos implantados no corpo dele que vão fazer desde massagem à cócegas.

Rosi
A Rosi vai ficar louca. Vai conversar com as formigas e vai se vestir com vestidos de renda e chapéus de palha. Vai ter uma cestinha com flores de plástico que ela vai ficar cheirando todos os dias. Vai fugir do asilo uma vez por semana pra passear no centro. Vai entrar na Maria Maria de xambre azul e sem dentadura pra pedir o que tem de roupas dem promoção. O Fran e o Pedrinho vão ter que sempre estar de alerta pra buscar ela nas noites que ela decidir dormir na escadaria da Igreja Matriz.

Bettu
Não vai admitir ficar num asilo e vai alugar um quarto no Cristo Redentor com vista para o mato.

Bortolon
Está no asilo mas foragida. Ela não aguentou a vida no mundo real em Marau e vive escondida no asilo. Ela mora em um galpão enorme e lindo de frente para uma plantação enorme de soja. Ela gosta de ficar com uma folhinha de mato na boca. Vamos todas as tardes lá pra conversar, todos nós. Lá somos adolescentes de novo. Fazemos uma roda com cadeiras de palha onde conversamos sem parar e lembramos do quanto é bom sermos e termos amigos como nós.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Marketing Pessoal

Acho que estou ficando velho.
Definitivamente estou envelhecendo, cada dia que passa, cada hora que corre fico mais "antigo". E quando mais a idade avança mais parecido fico com os que eu julgava que não me compreendiam quando eu era adolescente, digamos criança visto que adolescente ainda sou.
Essa história de internet está me enchendo o saco. Facebook, Orkut, MSN...tudo é uma publicidade irritante de nós mesmos.
Ok que a Paola escreveu "Em Dubai...45 graus" ela é engraçadíssima, só de ler imagino ela comentando isso e já começo a gargalhar, mas tem gente que não podia ter autorização para atualizar o status do msn ou de qualquer site de perfil. Descobri que no Facebook vocë pode ocultar as atualizações daqueles amigos idiotas que temos e nem sabemos por quê.
Eu sinto saudades de escrever e receber cartas (mas como não se têm endereço em Dubai não tenho feito isto ultimamente), ligar para telefone fixo e dar sovas de pau na Candice no primeiro campinho de futebol que encontrar na frente.
Eu sei que sou nostálgico de natureza e adoro isso.
Atualizei o blog por causa de uma "mijada" que redebi de uma leitora.
O motivo da não atualização é que iniciei um diário e lá tenho registrado muita coisa. Porém, tenod em vista que a mão está cansando de escrever (a lápis, faço questão), vou voltar a dar uma passada aqui de vez em quando para encher espaços em branco com frases desconexas que poucos Poirots and Marples conseguem decifrar.

Namastê