domingo, 31 de agosto de 2008

Quartinho Escuro

Sabe como eu imagino a vida?

Como um quadro...não como um quarto escuro. Um quarto cheio de cacarecos, mas completamente escuro. Cada um de nós tem uma lanterna, e escolhe onde focar. É muito fácil de, comodamente, manter o foco em um único canto ou objeto do quarto. Uma mudança de perspectiva traz não só uma nova visão das coisas mas todo um novo universo. Quando chega alguém, que se junta a nós, usamos a sua luz também. Resultado? Um campo de visão mais amplo. É isso que está acontecendo comigo agora. Dei uma ampliada no foco, saí do cantinho e estou contemplando uma parede inteira agora. Tem muita coisa nova, muita coisa nova e boa.

Junta aí!
Mas me empresta a tua lanterna...

Namastê

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Manhe, quando que é amanhã?

Foi numa dessas manhãs sem nada para se fazer que, aos cinco anos de idade, elaborei minha primeira questão filosófica. Lembro que estava sentado no degrau da porta de entrada de uma vizinha quando me ocorreu “quando que é amanhã?”. Eu estava fazendo planos para o dia seguinte e pensei “amanhã vou fazer tal coisa”, mas peraí, “quando que é amanhã?”. Na minha cabeça “amanhã” era o nome e não a referência ao dia seguinte. Depois de horas elaborando, tentando decifrar esse que para mim era o maior de todos os enigmas comecei a perguntar para todos os que eu encontrava “quando que é amanhã?”, “o quê, você ta loco menino? Amanhã é amanhã!”. Não lembro ao certo quando entendi o conceito, mas esta estranha pergunta me fez iniciar essa grande viagem dentro de mim e quando estou escrevendo, por mais que pareça que perdi a linha de raciocínio, isso só acontece porque minha cabeça funciona muito mais rápido do que digito. Algumas coisas que penso esqueço de escrever e outras coisas que escrevo esqueço de pensar.
Outra coisa que lembro é o dia em que meu irmão me “mostrou” que a Terra era redonda. Na minha mente ela era uma concha flutuante a atmosfera fazia a outra meia-lua. E assim eram os meus desenhos da Terra, iguais aquelas bolinhas de vidro com uma paisagem qualquer cheias de água. Então em uma bolinha de ping-pong e uma caneta ele me mostrou que, naquele momento, estávamos de cabeça para baixo. Por que!!! Aí eu tentava desafiar o próprio Newton tentando pular alto para “cair fora do planeta”.
Uma coisa que não vejo a hora de fazer é comprar um desses supertelefones com internet, Word e tudo mais para poder registrar esses “eventos” cotidianos. Meu avô me deu de presente quando completei 18 anos um caderno para eu registrar essas coisas, mas nunca fui muito disciplinado. Vários anos eu iniciava um diário e ele durava dois ou três meses e já ia para um canto qualquer. A idéia do blog me pareceu mais interessante (não que aqui haja disciplina), mas ao invés de relatar o meu levantar-e-dormir, prefiro colocar algumas coisas que acho interessantes e, na falta de quem conversar às vezes, tenho a impressão que estou falando isso para alguém, é bom.
Já é hora de cumprir o meu papel de fazer a diferença de alguma forma. Madre Tereza dizia que o mundo já tinha pessoas fazendo as coisas grandes e que era hora de as outras se preocuparem com as pequenas.
Acho bom isso, que tal começarmos alguma coisa...amanhã?

Namastê

sábado, 9 de agosto de 2008

The Sheltering Sky


Então, conversando com a Claudia aqui no Lulu e lembrei deste filme do Bernardo Bertolucci.
O filme é de 1990, não lembro muito do que acontece exceto duas coisas:
Uma cena em que a protagonista corre a noite no deserto e todo o ambiente está banhado por uma luz azul;
Um texto fantástico lido ao final do filme.
Tenho este texto anotado no meu "caderno de filmes" em casa, então fazendo uma busca no google descobri que este texto tem até autor (ok, que texto que não tem), Paul Bowles, aqui vai ele:

“Por não sabermos quando morremos achamos que a vida é inacabável. Mas algumas coisas acontecem de vez em quando. Poucas, aliás. Quantas vezes vai se lembrar de uma certa tarde na infância, uma tarde que faz parte de você tanto que não imagina sua vida sem ela. Mais 4 ou 5 vezes. Talvez nem isso. Mais quantas vezes vai ver a lua cheia? Umas vinte, talvez. Ainda assim, tudo parece limitado”.

Dá pra pensar né?

Namastê