domingo, 9 de maio de 2010

Vou ou Volto para Casa?

Ontem foi interessante. Em meio a conversas a respeito de absolutamente tudo, resolvi voltar a escrever e, como de costume, inicio com algo que me revolta (adoro as variações desta palavra "revolta", revolto, revolução...).
"Vai voltar para Marau? Por quê? Não deu certo?"
Mas que tipo de pergunta é esta? Por que voltar para casa tem que ser sinônimo de fracasso? É o sentido da palavra "voltar"? Ou é frustração enrustida de quem nunca saiu daqui?
"Vou voltar sim, mas não porque não deu certo, mas porque deu, e muito!"
Os dois anos vivendo no Oriente Médio com certeza me transformaram, assim como acredito que se tivesse continuado aqui, mudanças também teriam ocorrido. A grande diferença para mim é que não sinto que esteja "voltando" (adoro aspas) para casa mas sim "indo" para casa.
Ver Dubai pela televisão, se encantar com aquela Disneylândia e imaginar como deve ser uma vida de Paris Hilton 24 horas por dia deve fazer parte dos sonhos de muita gente. Eu não tive isso lá, mas vi tudo de muito perto. O que posso dizer é que é interessate, bonito, mágico até mas absurdamente...superficial. Nada daquilo é meu, nem quero que seja. Não pertenço àquela terra.
O mais interessante, para mim, ao se viajar é o contato com a cultura local. Saber como se vive, o que se pensa, no que se acredita. Gosto de fazer minha pesquisa de campo. Agora concluída, coloco tudo na mochila e carrego comigo para onde for.
A vida fora tem a chance de nos afastar dos conflitos familiares, dos conflitos com conhecidos e da responsabilidade de envelhecer. É como uma grande viagem de férias.
Minha ida para Dubai nunca teve o objetivo de criar raízes lá, foram meus dois anos sabáticos (que por sinal são aos sábados nos países islâmicos). Agora quero brincar de ter 30 anos, ter projetos mais responsáveis e duradouros. Descobri que sou nacionalista, bairrista e extremamente feliz em ser gaúcho decendente de Italianos. O verde-amerelo que já está brilhando tão fortemente no exterior, precisa brilhar mais aqui. Vivemos num país livre e democrático, quem quer que nos governe, foi eleito pela maioria e nos representa. Concordar ou não é outra história, e que sempre haja a oposição e, a liberdade de expressão.
Para terminar essa bulimia de palavras e massagear o sentimento nacionalista termino com um evento no Brasil Império que guardo comigo:

O nascimento de D. Pedro II foi comemorado com celebrações e festividades durante um mês. Nasceu doente, sofria de febre e convulções vindo a ser descrito como "um menino amarelo e muito fraquinho". Tendo recebido carinho e afeto do Pai, tornou-se órfão ainda com 1 ano de idade, era comum se ouvir do próprio D. Pedro I: "Meu filho tem sobre mim a vantagem de ser Brasileiro!"

Bonito, não?
Bonito sim! Boa semana a todos!

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