domingo, 8 de maio de 2011

Aparecer e Pensar

A revista Filosofia, ano 5, número 57 traz uma excelente reportagem a respeito do crescence sucesso dos reality shows. A matéria traz como base o trabalho de Guy Debord sobre a "Sociedade do Espetáculo" com ricos comentários de Renato Nunes Bittencourt, doutor em Filosofia.
As coisas novas, nem sempre são inéditas. As apresentações circenses no Circo Romano, na literatura com "O Artista da Fome" de Dostoievski, o projeto Biosfera e os bilhões de telespectadores que acompanharam o casamento real inglês são meros reflexos de uma mesma realidade ha muito tempo presente. A grande mudança hoje está na abrangência.
Com a comunicação quase que universal, particularmente não acho que esteja muito longe canais de abrangência internacional com a mesma programação, eventos de interesse das massas são transmitidos exaustivamente pela mídia internacional numa tentativa única e exclusiva de captação de audiência. É importante lembrar a inexistência de fatores educacionais, filosóficos ou éticos, como geradora de um bem de consumo, informação e entretenimento, se tornaram produtos maninpulados e manipuláveis alienando a populacão telespectadora que se torna prisioneira da vontade das massas. Muita gente se cansou sim das intermináveis matérias sobre Willian e Kate mas foram todos reféns. Reféns pois a única liberdade e oportunidade de participação na TV, no formato como ela é hoje, é mudar de canal, porém, aos usuários apenas da TV aberta não restam escolhas a não ser participar do conteúdo saturadamente divulgado.
O comprometimento do tempo do homem moderno na utilização de redes sociais e programas televisivos não supre a necessidade da vida em grupo e da interação com outras pessoas. A forma de suprir este desejo de participar da vida alheia somado ao fato de poder, ao mesmo tempo, ver o que não poderia ser visto surgem os reality show. Neles você tem a ilusão de participar da vida dos personagens somado as chances de poder vê-los tomando banho, fazendo sexo e participarem de conflitos manipulados que evitam a mesmice do cotidiano.
Sobre isto, Dr. Renato comenta: "O sistema técnico do reality show se utiliza do mecanismo visual da disposição espetacular, para que possa vir a exercer o seu efeito sedutor sobre a fragilizada subjetividade do espectador, ávido de conhecer os detalhes íntimos da vida dos protagonistas do programa, protagonistas que representam uma experiência desproida de autêntca subjetividade psicológica ou realidade interior (...) papel espetacular forjado em prol do consumo social de imagens."
A maior ideia vendia pela mídia é a de "pensar é cansativo", quando na verdade sabe que "pensar é perigoso", perigoso no sentido do aumento da percepção e criação de opinião.
A matéria continua com fortes afirmações a respeito da necessidade de atenção pelos participantes de redes sociais populares e parafraseia Descartes ao afirmar que, hoje, mais vale o "Apareço, logo existo".
Para continuar o debate, recomendo A Ilusão Americana de Eduardo Prado, o livro pode ser encontrado na Livraria do Senado Federal. Escrito em 1917 deu a chance de ser criada uma nação de identidade aqui no Brasil. Agora, nos resta buscar o tempo perdido, quebrar monopólios e prestar mais atenção em toda a informação que chega até nós.
Bem vinda Filosofia, como disciplina obrigatória!

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